O ANARQUISMO
Peço licença e, principalmente, contribuições teóricas, de meus colegas sociólogos, mas, hoje, mais uma vez a pedidos, adentrarei neste campo fantástico do conhecimeto para uma breve explicação sobre o anarquismo.
Ao tratar de “anarquia”, muitos acreditam que a expressão tem a ver com qualquer evento ou lugar desprovido de organização. Contudo, essa apropriação contemporânea está bem
distante das teorias que integram o chamado pensamento anarquista,
estabelecido logo depois que as contradições e injustiças do sistema
capitalista já se mostravam visíveis no século XVIII. O anarquismo é
freqüentemente apontado como uma ideologia negadora dos valores sociais e
políticos prevalecentes no mundo contemporâneo: o Estado laico, a lei, a
ordem, a religião, a propriedade privada etc. De fato, como
ideologia libertária e profundamente individualista, o anarquismo
defende a ruptura com todas as formas de autoridade política e
religiosa, a propriedade privada e quaisquer outros tipos de normas
institucionais que cerceiem a liberdade do indivíduo em sociedade e na
esfera da vida privada. Não
há consenso entre os historiadores sobre as origens da ideologia
anarquista. Mas é possível afirmar que alguns pensadores e teóricos,
como o inglês William Godwin, que em 1793 publicou o livro "Enquiry
Concerning Political Justice" (Indagação relativa à
justiça política), o francês Pierre-Joseph Proudhon, que em 1840
publicou "Qu'est-ce que la propriété?" (Que é a
propriedade?), e o alemão Max Stirner, que publicou "Der Einzige und
sein Eigentum" (O indivíduo e sua propriedade),
influenciaram decisivamente o conteúdo da ideologia anarquista.
O anarquismo influenciou importantes movimentos sociais no transcurso do século 19 até a metade do século 20. Em muitos aspectos, a ideologia anarquista se assemelhava à
ideologia socialista - principalmente no tocante a luta de classes, a
defesa das classes oprimidas, a crítica da propriedade privada, da
sociedade e do Estado burguês. Por conta disso, durante décadas os
anarquistas e os comunistas se aliaram na organização dos movimentos
revolucionários. Na Europa do século 19, destacou-se o trabalho do intelectual e revolucionário russo Mikhail Bakunin,
responsável pela sistematização de muitos princípios, idéias e valores
que vão compor a ideologia anarquista. Bakunin inspirou inúmeros
movimentos anarquistas por todo o continente. No Brasil, a ideologia anarquista foi introduzida pelos imigrantes europeus,
principalmente os italianos e espanhóis. Os anarquistas foram os
responsáveis pela organização dos primeiros movimentos operários e
sindicatos trabalhistas autônomos. Eles lideraram as greves de 1917 a 1919, ocorridas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Entre
os militantes anarquistas brasileiros, destacam-se o jornalista Edgard
Leuenroth, o filólogo e professor José Oiticica e o intelectual Neno
Vasco. A partir da década de 1920, os anarquistas progressivamente se
afastam dos socialistas e, cada vez mais, perdem influência social e
política. Após a Segunda G.M., a ideologia anarquista entra em declínio. (CANCIAN, 1985).
muito bom!
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