O INACABADO QUE HÁ EM MIM.

Olá. Inicialmente quero me dirigir àqueles que reclamaram nos últimos dias que eu não postava mais. Obrigado pelo interesse. Especialmente vocês, Lucas e Stephanie, por tantos elogios, porém, sinceramente, aprendo muito mais com vocês do que ensino. Eu é que me sinto honrado em ser seu professor, conviver com vocês. De coração, muuuuito obrigado.  

                     O efêmero, o transitório e a necessidade de continuar.
Diante do dia-a-dia, das responsabilidades, das ansiedades e, principalmente, da decepção, lembrei-me do que escreveu Pe.Fábio, me experimento inacabado. Às vezes, incapacitado. Da obra, sinto-me o rascunho. Do gesto, o que não termina. Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e o encontro com filhos de outras nascentes. O rio é a mistura de pequenos encontros. Eu sou feito de águas, muitas águas. Também recebo afluentes e com eles me transformo. O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me fita vem morar em mim? Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. O que sei é que a vida me afeta com seu poder de vivência. Preocupo-me excessivamente com o que pensam sobre mim. Isso, empurra-me para reações inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. Cultivo em mim o acúmulo de muitos mundos. Ontem, recolhi sofrimentos e reparti esperança. Hoje, busco esperança e deixo cair migalhas de inconformismo a meu redor. Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis. Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil. Resta mesmo é continuar na esperança de confluências futuras. Viver para sorver os novos rios que virão. Eu sou inacabado. Preciso continuar. Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro sou solidão. Não quero ser multidão todo dia. Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a ingratidão e o descaso que me faz querer ser só. Enfim, como quase tudo, o que sinto e o que sou agora, também viverá suas mutações. Ainda bem. 

Um beijo no coração a todos, Bruno Rangel.

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