Vamos

Aos jovens de 10 a 100 anos.

Hoje, ao fazer uma releitura de Drummond, de seu texto denominado Viver não Dói, lembrei-me de alguém que me disse que não iria mais se envolver, que só confiariao amor de Deus e mais nada. Não sei os motivos, imagino que não sejam poucos para tal afirmação, mas, peço a  você, e a mim mesmo, que nunca o medo de viver,ou de morrerr, de se frustrar, de se machucar, nos impeça de tentar. Quem nunca levou um fora? Quem já sofreu por amor? Confesso que já me frustrei muito, confiando em pessoas que não se preocupavam com minha felicidade. Quanta dor. Há pessoas que chegam ao extremo quando se frustram. Porém, Drummond nos lembra que nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,  perdemos também a felicidade... A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Então, não esperemos para viver intensamente, e que o Amor Maior nos conduza, com o propósito e a coragem de sermos mais felizes.

Um beijo enorme no coração, Bruno.

                                                                                                                                                                

Comentários

  1. As vezes, a melhor coisa a se fazer é doar-se sem esperar nada em troca, assim, as chances de se decepcionar com os outros são menores.

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  2. Concordo com a essência, com a idéia, com tal propósito,mas, quase sempre esperamos algo em troca: um olhar, uma palavra, um agradecimento ... Valeu, abraço!

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